13 de abr de 2012

SHAME, uma personificação do homem contemporâneo

SHAME - Steve McQueen

SHAME é o filme do diretor e artista plástico Steve McQueen. Belíssimo e super interessante, o filme trata a história de um sexomaníaco que se vê em apuros devido ao seu distúrbio psicossomático. Para quem busca um filme que discute a questão do "desejo", essa é, sem dúvida, uma grande pedida.

O desejo humano é um daqueles temas complexos que permeia as teses de muitos alunos de filosofia, pois nada é tão complicado e de difícil argumentação quanto o desejo humano. O nosso desejo é tão escabroso, mas tão escabroso, que se diferencia em largas proporções dos outros animais. Podemos ver nessa película essas diferenças a todo momento. 

Enquanto os animais se saciam após a relação sexual, o personagem "Brando", interpretado por Michael Fassbender, é capaz de continuar transando, embora já tenha se saciado há muito tempo. Ele, como representante da raça humana, não se conforma em aplacar seus desejos sexuais, transformando o prazer em dor física e mental. Na solidão do seu martírio, vê sua vida escoar no abismo do Hades.

Brando pode ser visto, através de uma lupa, na personificação do homem contemporâneo. De joelhos no altar profano do consumismo, o homem se perde na escravização de seus desejos. Esse espécime não sabe satisfazer os desejos, e assim, cansado de lutar nesse mundo insano, recorre muitas vezes ao que é prescindível e perigoso.

A arma que o homem possui contra esses males é a razão. Através do uso correto dela que o homem vai distinguir aquilo que pode ser útil ou tolerável para sua vida. Ou seja, temos de ser senhores dos nossos desejos e não escravos. Para se ter uma ideia reflexiva sobre o tema "desejo", vale a pena assistir SHAME.

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