24 de set de 2007

Benny Franklin: o Cônsul das Palavras


Um dos poetas mais instigantes do Overmundo, Benny Franklin, é um dos principais representantes da entidade Poetas del Mundo. Possuindo uma veia artística caracterizada pelo extremo cuidado com a linguagem escrita, seu alcance e suas implicações culturais. Benny conhece um pouco de tudo e parece "poetar" com uma magistral mistura de intuição e razão, ornando as palavras nuas com os significados mais inusitados e, por vezes, mesclando o estilo clássico com um viés mais contemporâneo, ou, para alguns, vanguardista!!!

Veneza de Brasileiros- o que significa fazer parte do grupo dos Poetas Del Mundo?

- Ser membro deste Movimento Cultural – além da honra de representar como Cônsul de Belém - significa: aproximar-me à exaustão dos grandes homens de poesia que habitam todos os cantos deste Planeta. Para a devida compreensão, Poetas Del Mundo é um Movimento Internacional de Poetas que colocam sua Arte ao serviço da Humanidade. Presente em mais de 120 Países. É através da poesia que influenciamos e combatemos todas as formas de injustiças sociais; todos os feitos desumanos.

Veneza de Brasileiros- Quais as suas prerrogativas e deveres como cônsul desse movimento?
1 - Representar em Belém a Poetas del Mundo;

2 - Informar ao Embaixador Brasileiro (Poeta Delasnieve Daspet) - que repassará ao Secretario Geral (Poeta Luis Arias Manzo) - os feitos relevantes que ocorrerem em seu local de ação, os que tiverem a ver com a literatura em geral e em especial com a poesia;

3 - Propor o ingresso de novos poetas ao movimento;

4 - Prestar apoio na difusão das obras dos membros de Poetas del Mundo.

Veneza de Brasileiros - Como você descobriu esse movimento, ou aconteceu o inverso?

-Numa dessas viagens poéticas através da Net, tive o privilégio de conhecer virtualmente a ativista e poetiza Dalasnieve Despet, nossa Embaixadora do Brasil que, como eu, colabora no site cultural paraense "VerOpoema". Daí foi um pulo para fazer parte deste movimento internacional de poetas.

Veneza de Brasileiros - Sua poesia costuma mesclar o sacro e o profano com maestria, de onde vem essa sua veia, digamos, barroca?

Desde os meus 16 anos, leio com freqüência, poetas como Rui Barata, João de Jesus Paes Loureiro, Mário Faustino,Age de Carvalho e Max Martins, todos paraenses. Também gosto de Affonso Romano de Sant'Anna, Ferreira Gullar, Thiago de Mello, Allen Ginsberg, Walt Whitman , Guy Debord, José Saramago e Fernando Pessoa. Talvez isso tenha influenciado, sobremaneira o meu fazer poético.

VB- Quem é Benny Franklin? Quais suas raízes?

- Sou e sou um paraora da gema; pateta quase poeta; valente avium das palavras; subversivo míssil de poemas rompendo auroras, cobrindo de orgasmo o viço das pessoas...

VB- Como você enxerga o Benny poeta? Você é muito exigente consigo mesmo?

- Com relação a como me enxergo e quais as minhas raízes - sem falsa modéstia - faço das palavras do Poeta Frazão my brother, a minha definição, que mandou bem num comentário sobre mim, postado na minha Poesia Beat, no Site Overmundo, do qual sou colaborador: Assim definiu: "Batida inconfundível e Bennygna, de reflexão apurada, viagem longa, palavra nua e crua contra o cinismo estatal; revolução contra o caos da guerra sem fim; lâmina lasciva contra a ignorância no poder; poema-balada de mil vozes que ressuscita o jeans e a guitarra para ensurdecer o som da metralha e fazer raiar a liberdade".

POEMA EM DOSE ARDENTE

Da primeira vez em que eu o vi,
Desmamava a cria do orvalho e uma tosse urbana
- Dessas que contrafaz a vigília ao tragar orações indispostas -,
O defendia dos bêbados do destino.
.................

Carregava sob a lapela
Um invólucro de papel que o protegia dos automóveis desvogernados,
Estava para o vazio assim como o filho bastardo
Está para a loba mênstruada de véspera...
Ai! Dia-a-dia tinha que se defender da intrépida animália
Que, de tosse em tosse, intoxicava em seu próprio peito,
A Láctea humana que poderia lhe salvar da morte
Depois de o derradeiro sacrifício romper-se.
................

Da última vez em que eu o vi,
Fulgurava no tempo repleto de cio,
Na lucidez gorgulhante dos fantasmas públicos:
Ah! Tornara-se bucha de bombardeios
Para despojar as raparigas úmidas
Agitando-se nas cortinas de calçadas que cospe,
Enquanto partindo qual andarilho sem fim,
Via como miragem dois corpos às lágrimas
Se gozarem enlaçados
Aos madruguentos pingos de orvalho abandonado...
Mas, descomedido de sonhos, corpo já fatigado,
Eis aqui o poeta das últimas vezes que eu o vi!
Tal como o ás do baralho se predispôs dizer ao vento de agora,
Que: em meio as sacada dos olhares perdidos,
Há sempre quem procure
Num aposento desnudo
A poesia saliente.
.................

Oh! Poeta!
Não quero tua voz hesitante e confiscada
Pela mão soturna do isolamento que não escreve nada
E da expiação que se faz intocável...
Ai! Quero o poema em dose ardente;
Quero a devoção de resistir, quero a irreverência de galar...
Quero combater, se for preciso... Até morrer!
.................

(Oh! Vida!
Se Eu cair morto,
Tu me deslembrará?)

Benny Franklin

VB- Você já publicou algum livro? Caso não o tenha feito, já tem em mente um possível título?

- Ah! Publicar um livro é sonho de estrelar de qualquer poeta pequeno como eu. Não fujo deste estigma... Na verdade, já tenho poesia publicada através de uma obra literária, fruto de Prêmio de Literatura em Poesia, que venci em 2006. Livro próprio de poesias completas mesmo, só estará sendo lançado em dezembro, e se chamará: "Exame de Consciência". Aliás, outros cinco livros ínéditos - a espera de parto - repousam nas bolorentas gavetas de casa...

VB- Qual o seu ritual (ou rituais) de criação?

- De quando em vez, estando debruçado em meu laptop, preciso ouvir barulho. Muito barulho. Algo assim que as pessoas normais não conseguem suportar de tão tediante... Também não consigo poetar sem ouvir algums caras que considero essenciais: George Harrison, Bob Dylan, Beto Guedes, Lô Borges, Apha Blondy, Bob Marley. Essas coisas me deixam excitado, aí a coisa flui como chega e quer. Acho que não sou normal... (risos)

VB- Quem afinal lhe inspirou, ou ainda inspira?

- Influência cultural e poética, eu herdei de meu pai. O "cara" era exímio articular de palavras. Dominava todos os ritmos necessários para idealização da boa escrita. Ele sim, foi e ainda é o meu maior inspirador.

4 comentários:

CINTIA THOMÉ disse...

Benny Benny Franklin!

Serás um Orquidário na internet e na esfera do mundo.
Suas ternas palavras de manifestação a favor da PAZ do homem que não guerreia pelo teu verdadeiro amago.
Benny das Orquídeas Raras e Selvagens. Curvarei-me sempre diante de ti Poeta Maior neste vasto Brasil e mundo afora.
Dali, Picasso, Camões, Augusto dos Anjos, Keirouc, John Lenon, Bach, Vinícius, Pessoa, Gandhi, V.Gogh,Guimaraes, Guilherme de Almeida,Wally,Churchil, Diana,Bertolucci,Costa Gravas, Quintana, Di, Jorge Amado, Flavio de Carvalho aplaudem por lá...E eu humilde aplaudo de cá (tenho esse privilégio!)

Beijos de quem te admira Cintia Thomé

CINTIA THOMÉ disse...

Parabens aos Poetas e Escritores
Marcos e Oswaldo por todo o contéudo do blog-site.

ailiramboni disse...

DEUS me deu um dos melhores presentes do mundo:
Conhecer a poesia do Benny !!!
Parabéns à todos !!!
Sucesso também !!!!
Bjs.

Adriana Costa disse...

Que entrevista maravilhosa! Benny, meu mestre, adoro-te de paixão!

abraços e parabéns aos realizadores da postagem! valeu!