10 de nov de 2008

11 de Novembro: Fiódor Dostoiévski

1. Nada serviu tanto o despotismo como as ciências e os talentos.
2. Podem ter a certeza de que não foi quando descobriu a América, mas sim quando estava a descobri-la, que Colombo se sentiu feliz.

3. Tenho de proclamar a minha incredulidade. Para mim não há nada de mais elevado que a ideia da inexistência de Deus. O Homem inventou Deus para poder viver sem se matar.
4. Às vezes o homem prefere o sofrimento à paixão.

5. A melhor definição que posso dar de um homem é a de um ser que se habitua a tudo.
6. Todas as mulheres sabem que os ciumentos são os primeiros a perdoar .

7. A purificação pelo sofrimento é menos dolorosa que a situação que se cria a um culpado por uma absolvição impensada.
8. Não é encerrando o teu próximo numa casa de saúde que provarás que tens razão

9. A verdadeira verdade é sempre inverosímil; para lhe dar verosimilhança é preciso misturar-lhe um pouco de mentira.
10. Um acto de confiança dá paz e serenidade.

11. Conhecemos um homem pelo seu riso; se na primeira vez que o encontramos ele ri de maneira agradável, o íntimo é excelente.
12. Não será preferível corrigir, recuperar, e educar um ser humano que cortar-lhe a cabeça?

13. Quanto mais gosto da humanidade em geral, menos aprecio as pessoas em particular, como indivíduos.
14. Compara-se muitas vezes a crueldade do homem à das feras, mas isso é injuriar estas últimas.

15. A tragédia e a sátira são irmãs e estão sempre de acordo; consideradas ao mesmo tempo recebem o nome de verdade.
16. A beleza salvará o mundo.

17. É claro e evidente que o mal se insinua no homem mais profundamente do que supõem os médicos socialistas. Em nenhuma ordem social é possível escapar ao mal e mudar a alma humana: ela própria é a origem da aberração e do pecado.
18. A fé e as demonstrações matemáticas são duas coisas inconciliáveis.

19. A maior felicidade é quando a pessoa sabe porque é que é infeliz .
20. Todos somos responsáveis de tudo, perante todos.

21. Nem homem nem nação podem existir sem uma ideia sublime.
22. Não há ideia nem facto que não possam ser vulgarizados e apresentados a uma luz ridícula.

23. Não há assunto tão velho que não possa ser dito algo de novo sobre ele.
24. O criminoso, no momento em que pratica o seu crime, é sempre um doente.

25. Partindo de uma liberdade ilimitada chega-se a um despotismo sem limites.
26. Decididamente não compreendo por que é mais glorioso bombardear de projécteis uma cidade do que assassinar alguém a machadadas.

27. A vida é um paraíso, mas os homens não o sabem e não se preocupam em sabê-lo .
28. A falta de liberdade não consiste jamais em estar segregado, e sim em estar em promiscuidade, pois o suplício inenarrável é não se poder estar sozinho.

29. Aos olhos do artista, o público é um mal necessário; é preciso vencê-lo, nada mais.
30. O homem apercebe-se apenas das suas tristezas. Ele lida com a sua felicidade como algo natural.

31. É muito fácil viver fazendo-se de tonto. Se o tivesse sabido antes, ter-me-ia declarado idiota desde a minha juventude, e poderia ser que, por esta altura, até fosse mais inteligente. Porém, quis ter engenho demasiado depressa, e eis-me aqui agora, feito um imbecil.
32. Não procures prémio, porque tens uma grande recompensa nesta terra: a tua alegria espiritual, de que só o justo pode desfrutar.

33. Prometer uma mudança, afinal de contas, reduz-se a mentir, por muito respeitável que seja quem promete.
34. Sofrer e chorar significa viver.

35. Não há desgraças para os corações débeis. A desgraça requer um coração forte.
36. No nosso planeta só podemos amar sofrendo e através da dor. Não sabemos amar de outro modo nem conhecemos outro tipo de amor.

37. Enamorar-se não é amar. Podemos enamorar-nos e odiar.
38. Uma enorme massa de gente não está sobre a terra para mais do que dar à luz, após longos e misteriosos cruzamentos de raças, um homem que, entre mil, possua alguma independência.

39. O segredo da existência humana reside não só em viver mas também em saber para que se vive .
40. A víbora da vaidade literária infere por vezes mordeduras muito fundas e até incuráveis, particularmente aos homens limitados.

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