21 de mai de 2012

Um bapo sobre as teorias de Henri Wallon

Podemos dizer que as teorias de Wallon oferecem uma íntima relação entre a Psicologia e a Educação. Podemos dizer isso pois Wallon havia percebido que a escola oferecia contexto privilegiado para o estudo da criança, ou seja, do próprio homem na sua fase inicial. Ele acreditava que a Pedagogia teria a oferecer campo a Psicologia em questões de observação. Por isso, Wallon concebia a Psicologia e a Pedagogia como ciências irmãs na labuta destinada a conhecer os processos do conhecimento humano. Conhecendo tais caminhos, o homem teria a possibilidade de demarcar vias destinadas a fuga do obscurantismo da ignorância. Mas é bom que se diga que essas matérias(a Psicologia e a Pedagogia) se encontram, dentro da teoria de Wallon, no mesmo patamar. Juntas poderiam auxiliar na compreensão da pessoa em sua totalidade. E aqui está toda importância do estudo de Wallon para área da educação.


A criança está primeiramente voltada para sensibilidade interna, que abrange o primeiro ano de vida. Assim, podemos compreender que, para Wallon, o biológico não pode ser visto separado do social. A vida psíquica só pode ser encarada tendo em vista suas relações recíprocas. A criança tem momentos impulsivos ou reflexos, descargas musculares provocados principalmente por sensações internas de desconforto. Essas associações fisiológicas transformam-se em manifestações expressivas. Vão construir uma troca emocional entre a criança e adulto próximo. Esse é o prelúdio da constituição psíquica, ao mesmo tempo em que é criado um estado de indivisão entre o que depende do exterios e do próprio sujeito. As atitudes vinculadas aos estados de desconforto, de necessidade, imprimem, na relação, aspectos culturais distintos, configurando a singularidade e a historicidade de cada criança. A afetividade vai designar os processos psíquicos que acompanha as manifestações orgânicas da emoção. A essa sensibilidade, posteriormente, vai se acrescentar a sensibilidade externa. Caracterizando o aspecto cognitivo do desenvolvimento.

A indiferenciação entre a criança e o meio envolvente, a comunhão afetiva estabelecida, constitui uma primeira relação psicológica. O desenvolvimento passa pela necessidade e não há um começo. Não é um processo linear. As condutas cognitivas surgem das afetivas por toda vida. No período pós nascimento as sensações internas desconforto revelam-se por meio de movimentos reflexos. As respostas do meio a essas manifestações permitirão que o bebê estabeleça relações entre suas manifestações impulsivas e as ações do adulto. A etapa impulsiva logo dá lugar para emocional. Com o tempo a criança deixa de ser egocêntrica e passa a perceber o ponto de vista do outro. A mudança é contínua, passa do aspecto centrípeto para centrífugo. A criança passa a ter capacidade de andar e utilizar as palavras. A criança desenvolve a consciência de si. Na etapa categorial é possível a criança citar objetos que não foram apresentado a ela.

Na adolescência a fase centrífuga segue junto com a centrípeta. Porém, há vários fatores para não estabelecer uma visão de etapas no desenvolvimento das crianças. Por tudo isso, a partir da primeira relação, podemos ver a importância do meio para os seres humanos. O ser humano é um ser geneticamente social, que nasce num meio envolvente do qual depende inteiramente para satisfação de seus desconfortos e necessidades alimentares e posturais. A participação do outro na formação da consciência de si é consequência da simbiose inicial entre a criança e o meio envolvente.

“A emoção é uma linguagem antes da linguagem”, essa citação norteia a resolução dessa questão. Faz isso tão bem que seria dispensável escrever mais. Porém, uma resposta de duas linhas não seria adequada para uma questão acadêmica. Sabemos que a inteligência nasce das emoções. É preciso entender, continuando, que a emoção é a primeira manifestação psicogenética da afetividade e precede o aparecimento de condutas cognitivas, ou seja, a inteligência é construída graças a essas manifestações afetiva que o indivíduo desenvolve ao nascer. É através do choro que o bebê se comunica e utiliza essa comunicação para dizer algo. A partir do momento que ele entende que chorando ele consegue as coisas, ele vai adquirindo condutas cognitivas. Para o senhor Wallon, a emoção torna-se fundamento da razão, ou seja, é a emoção que possibilita a razão, possibilita o acesso ao universo simbólico do grupo social, pois, podemos compreender, através do simples exemplo do bebê, que naquele momento a criança utiliza a emoção para anunciar o seu desconforto.

A origem da evolução psíquica está ligada ao desenvolvimento das diferentes sistemas de sensibilidade interoceptiva, proprioceptiva e exteroceptiva. A construção do Eu ocorre ao mesmo tempo do Não Eu, ou seja, no momento que se concebe aquilo que é próprio, o Si Mesmo, se percebe o que é exterior a esse Si Mesmo. No princípio, o Eu e o Não Eu é indistinguíveis. A comunhão afetiva torna-se uma consciência orgânica, subjetiva, que, pela troca afetiva com o outro, é a ele devolvida.

É opondo-se ao outro que a construção da pessoa acontece. A sucessão de elementos de ordem afetiva e cognitiva se alternam no processo de desenvolvimento, sublinhando os aspectos subjetivos e objetivos na construção do “EU” e do mundo. O recorte corporal permite uma objetivação da imagem e, portanto, a consciência de um “EU” subjetivo, que o Espelho Reflete.

Há duas dimensões na teoria de Wallon. Uma afetiva e a outra Cognitiva. A afetiva, podemos dizer, se relaciona aos nossos gestos ou movimentos expressivos que têm a intenção de causar impacto sobre o outro. A dimensão Cognitiva tem referência a ação direta sobre o meio físico.

A emoção é a primeira manifestação afetiva que está presente na criança, ou seja, ela é o primeiro sinal de comunicação do indivíduo com o mundo. É através da emoção que a criança interage com o meio que está inserida. A emoção, simultaneamente biológica e social em sua natureza, é o primeiro ponto de comunicação entre a criança e o meio envolvente. Colocada numa perspectiva genética, adquire o seu significado. Com o passar do tempo a criança adquire o pensamento categorial, ou seja, o pensamento característico do adulto.

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