Mostrando postagens com marcador sorriso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sorriso. Mostrar todas as postagens

21 de abr. de 2012

Virtuais Loucos


Ruas escuras,
Praças escuras,
E nas casas há uma luz.
No tubo de ensaio,
Tubo de imagem,
No tubo da mente comprimindo versos.
Há uma esperança,
Uma lembrança,
Um sorriso...
E lágrimas.

Os loucos estão amotinados,
Rebelados,
Revoltados,
Amaldiçoados...
Num farol de conceitos.
Expondo defeitos
Na busca da perfeição.

Loucos desvairados,
Loucos apaixonados,
Maníacos solitários...
Pelos seus delírios intermináveis.
Loucura sem acabamento!!!
Sem cabimento!!!
Sem conclusão!!!
SEM...

FIM!!!

Denominação Original da poesia: Overmundo (Um site de loucos amotinados)

12 de abr. de 2012

Candeias

Photo Credit: Juliana Coutinho
Na rua de barro deixei as minhas melhores lembranças como neblina de poeira que daqui a pouco não existirá mais. O canto dos pássaros era imperceptível e hoje mora em meus tímpanos numa percepção de um passado soberbo e feliz. Um passado pueril com pensamentos devidamente ingênuos, mas que insiste em ser espectro nas minhas invenções. E ainda vejo os seus olhos de mar pernambucano nos meus sonhos nostálgicos. Na sombra de um pé de coração de nego saboreei um sorriso e na calçada de cimento destruído pelas árvores vi você sorrir. Em delírios tive você muitas vezes como a minha primeira namorada, mas como sei nunca a namorei, infelizmente eu sei. Porém um beijo sem escrúpulos me mostrou quem é que manda.

“Você, tempo, é quem manda”. E o tempo passou rápido e injusto.

Foi o fim da expectativa.

Depois da tempestade só ficou a destruição e idiota é quem diz a bonança. Quem já se viu bonança em casas despedaçadas por correntes de águas bestiais? Vi o chão se abrir diante dos meus olhos e o diabo sair com todos os seus selos de destruição a tocar, com suas pragas, todos os meus amados. A ganância, intolerância, inveja, ódio. E no fim, para engrossar o caldo da estupidez, a morte. E o diabo me disse “No salão da vida tem dessas coisas. Somos utensílios que com o tempo envelhecem e ficam em desuso por causa de sua fragilidade. E é preciso destruir as almas para conseguir outras, pois a indigência é necessária para construir o novo”. E o demônio desconfigurou-se em várias personalidades famosas e tive aflição por eles, pois muitos eu amava, muitos admirava, muitos desejava conhecer e ser. E vi que tudo era um jogo fugaz do príncipe da mentira.

Na tentativa de fugir dessa realidade macabra, escondi-me entre a rafameia que me acolheu por um tempo e depois quis me engolir. Era a certeza de que era preciso caminhar em direção ao destino e não havia destino para os loucos. Os loucos desconheciam totalmente o destino. Aceitavam como aceitavam o pão dormido como alimento. Na dura camada da casca e a infeliz suspeita que tudo era casca. Fugi mais uma vez em busca de candeias. Em busca da argila que moldava esperança dentro dos meus pulmões.

Fracionando o meu existir, eu estava na terceira parte com mais de cem quilos e uma barba grisalha. As primeiras folhas da árvore genealógica sentiram o efeito do outono e uma por uma começaram  a cair. Foi o início de muitas lágrimas, durante e após esses novos eventos. E era preciso agora lutar pelos talheres para ter direito a janta. Ação desgastante demais para a minha hipertensão.

Na casa dos sofrimentos físicos e emocionais, visitei várias vezes o doutor e encontrei paz e até dormi na penumbra do quarto e na fria maca do hospital, porém, depois do soro era preciso ter alta e continuar a vida com comprimidos brancos e controladores de pressão. A tontura do vinho foi deixada de lado para conviver com a realidade de uma tontura física e incômoda. O açúcar moderado e o sal, totalmente abolido da minha dieta sem graça, foram os meus algozes. Tudo estava seguindo a regra do meu malfeitor. O diabo. Que há muito tempo me vigiava com as suas tenebrosas magias, removendo os objetos do lugar, numa artimanha maléfica para, como num filme de comédia pastelão, me derrubar. Porém, ignorei o apocalíptico e todas as mazelas de uma dívida injusta, e continuei.

Na mesa de compensado barato, passei a exercer uma profissão. Era preciso sair em busca do ouro de tolo para prosseguir com as minhas asneiras, os meus erros constantes. E lá encontrei outra realidade. Um patrão que buscava tempo para poder gastar a sua fração e por isso se tornava marionete e espectador de verdadeiros artistas em dissimulação, e uma massa que não tinha nenhum dom para a arte teatral, e, por isso mesmo, aplaudiam os mestres por medo e obediência. Fui muitas vezes atingido pelas costas sem saber quem eram os meus carrascos. Criatura que bate sem saber o motivo que açoita, mas por achar que sabe o motivo pelo qual apanha. Continuei produtivo, esperançoso e, às vezes, altivo, e sempre era recompensado com belíssimos aumentos de serviço e nunca de salário. Desgastei. Comecei a ter desprezo por tudo. Isolei-me numa tentativa de defesa. Perdi a batalha.

Ainda me lembro dos teus olhos verdes e ainda me lembro de fazer as minhas orações. É bem verdade que as minhas orações são grunhidos toscos e imperceptíveis a ouvidos tão sutis, mas em nenhum momento quis ser como os hipócritas com suas belas e bem preparadas orações. Só espero ainda ter contado com Candeias.