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23 de abr. de 2012

Alguém chora


Alguém chora pela alma que se foi...

Chora por quem não mais....

não mais levantará a poeira da estrada.
Não mais causará sensações danadas
não mais terá...

Alguém chora o silêncio da voz.
As gotículas da solidão atroz.
O som ensurdecedor do tempo
o  pobre latido do momento
que não mais...

Alguém chora por não ter vivido mais,
cada sentimento de paz,
cada fração de nós,
cada vil segundo,
cada fio vagabundo
do não estais sós...

Alguém chora o esperma perdido,
os tempos pervertidos,
do gemer lânguido,
do amante feroz...

Alguém chora a cada segundo
por crê na eternidade do mundo.

13 de abr. de 2012

Entre outras...palavras...


Perco-me.

Chaves perdidas,
Passos perdidos,
Lágrimas esmagando face.

Um olhar perdido
No escuro da rua,
No escuro do teu eu.
Não te encontro,
Perco-me.
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Suicídio Empírico
 
Comprei uma lata de sardinha, farinha e tomates
na barraca de Zé .
Acendi o fogo e assei tudo.
A sardinha, a farinha, o tomate,
a confusão, a depressão e as dúvidas.

Degustei tudo ao sabor da culpa.
Ouvindo o pipilar dançante da solidão.
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Sem Rótulos sociais.

Não dá para pensar em igualdade
sem respeito pela diversidade
de corações,
de mentes,
de pensares,
de paixões.

Qualquer esforço contra as diferenças
é somente conjecturas utópicas e
nada mais que isso.

Não entendo o pierrô que pensa que tudo é definido em torno de uma só denominação
como se um ser
fosse um único ser
e não a essência de múltiplos seres inanimados ou não.

Tudo que é criado
não deixa de ser uma recriação
de juízos de diversos indivíduos.
A própria descoberta da necessidade criadora
é contagiada por diversos fluxos criativos.

Essa forma de discorrer enaltece a liberdade de ser
em qualquer momento
branco, negro, índio, punk, americano, chinês...
De estar integrado ao Brasil,
de me sentir azul.

28 de out. de 2008

Carlos Drummond de Andrade





Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)


Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.