24 de set. de 2007

Benny Franklin: o Cônsul das Palavras


Um dos poetas mais instigantes do Overmundo, Benny Franklin, é um dos principais representantes da entidade Poetas del Mundo. Possuindo uma veia artística caracterizada pelo extremo cuidado com a linguagem escrita, seu alcance e suas implicações culturais. Benny conhece um pouco de tudo e parece "poetar" com uma magistral mistura de intuição e razão, ornando as palavras nuas com os significados mais inusitados e, por vezes, mesclando o estilo clássico com um viés mais contemporâneo, ou, para alguns, vanguardista!!!

Veneza de Brasileiros- o que significa fazer parte do grupo dos Poetas Del Mundo?

- Ser membro deste Movimento Cultural – além da honra de representar como Cônsul de Belém - significa: aproximar-me à exaustão dos grandes homens de poesia que habitam todos os cantos deste Planeta. Para a devida compreensão, Poetas Del Mundo é um Movimento Internacional de Poetas que colocam sua Arte ao serviço da Humanidade. Presente em mais de 120 Países. É através da poesia que influenciamos e combatemos todas as formas de injustiças sociais; todos os feitos desumanos.

Veneza de Brasileiros- Quais as suas prerrogativas e deveres como cônsul desse movimento?
1 - Representar em Belém a Poetas del Mundo;

2 - Informar ao Embaixador Brasileiro (Poeta Delasnieve Daspet) - que repassará ao Secretario Geral (Poeta Luis Arias Manzo) - os feitos relevantes que ocorrerem em seu local de ação, os que tiverem a ver com a literatura em geral e em especial com a poesia;

3 - Propor o ingresso de novos poetas ao movimento;

4 - Prestar apoio na difusão das obras dos membros de Poetas del Mundo.

Veneza de Brasileiros - Como você descobriu esse movimento, ou aconteceu o inverso?

-Numa dessas viagens poéticas através da Net, tive o privilégio de conhecer virtualmente a ativista e poetiza Dalasnieve Despet, nossa Embaixadora do Brasil que, como eu, colabora no site cultural paraense "VerOpoema". Daí foi um pulo para fazer parte deste movimento internacional de poetas.

Veneza de Brasileiros - Sua poesia costuma mesclar o sacro e o profano com maestria, de onde vem essa sua veia, digamos, barroca?

Desde os meus 16 anos, leio com freqüência, poetas como Rui Barata, João de Jesus Paes Loureiro, Mário Faustino,Age de Carvalho e Max Martins, todos paraenses. Também gosto de Affonso Romano de Sant'Anna, Ferreira Gullar, Thiago de Mello, Allen Ginsberg, Walt Whitman , Guy Debord, José Saramago e Fernando Pessoa. Talvez isso tenha influenciado, sobremaneira o meu fazer poético.

VB- Quem é Benny Franklin? Quais suas raízes?

- Sou e sou um paraora da gema; pateta quase poeta; valente avium das palavras; subversivo míssil de poemas rompendo auroras, cobrindo de orgasmo o viço das pessoas...

VB- Como você enxerga o Benny poeta? Você é muito exigente consigo mesmo?

- Com relação a como me enxergo e quais as minhas raízes - sem falsa modéstia - faço das palavras do Poeta Frazão my brother, a minha definição, que mandou bem num comentário sobre mim, postado na minha Poesia Beat, no Site Overmundo, do qual sou colaborador: Assim definiu: "Batida inconfundível e Bennygna, de reflexão apurada, viagem longa, palavra nua e crua contra o cinismo estatal; revolução contra o caos da guerra sem fim; lâmina lasciva contra a ignorância no poder; poema-balada de mil vozes que ressuscita o jeans e a guitarra para ensurdecer o som da metralha e fazer raiar a liberdade".

POEMA EM DOSE ARDENTE

Da primeira vez em que eu o vi,
Desmamava a cria do orvalho e uma tosse urbana
- Dessas que contrafaz a vigília ao tragar orações indispostas -,
O defendia dos bêbados do destino.
.................

Carregava sob a lapela
Um invólucro de papel que o protegia dos automóveis desvogernados,
Estava para o vazio assim como o filho bastardo
Está para a loba mênstruada de véspera...
Ai! Dia-a-dia tinha que se defender da intrépida animália
Que, de tosse em tosse, intoxicava em seu próprio peito,
A Láctea humana que poderia lhe salvar da morte
Depois de o derradeiro sacrifício romper-se.
................

Da última vez em que eu o vi,
Fulgurava no tempo repleto de cio,
Na lucidez gorgulhante dos fantasmas públicos:
Ah! Tornara-se bucha de bombardeios
Para despojar as raparigas úmidas
Agitando-se nas cortinas de calçadas que cospe,
Enquanto partindo qual andarilho sem fim,
Via como miragem dois corpos às lágrimas
Se gozarem enlaçados
Aos madruguentos pingos de orvalho abandonado...
Mas, descomedido de sonhos, corpo já fatigado,
Eis aqui o poeta das últimas vezes que eu o vi!
Tal como o ás do baralho se predispôs dizer ao vento de agora,
Que: em meio as sacada dos olhares perdidos,
Há sempre quem procure
Num aposento desnudo
A poesia saliente.
.................

Oh! Poeta!
Não quero tua voz hesitante e confiscada
Pela mão soturna do isolamento que não escreve nada
E da expiação que se faz intocável...
Ai! Quero o poema em dose ardente;
Quero a devoção de resistir, quero a irreverência de galar...
Quero combater, se for preciso... Até morrer!
.................

(Oh! Vida!
Se Eu cair morto,
Tu me deslembrará?)

Benny Franklin

VB- Você já publicou algum livro? Caso não o tenha feito, já tem em mente um possível título?

- Ah! Publicar um livro é sonho de estrelar de qualquer poeta pequeno como eu. Não fujo deste estigma... Na verdade, já tenho poesia publicada através de uma obra literária, fruto de Prêmio de Literatura em Poesia, que venci em 2006. Livro próprio de poesias completas mesmo, só estará sendo lançado em dezembro, e se chamará: "Exame de Consciência". Aliás, outros cinco livros ínéditos - a espera de parto - repousam nas bolorentas gavetas de casa...

VB- Qual o seu ritual (ou rituais) de criação?

- De quando em vez, estando debruçado em meu laptop, preciso ouvir barulho. Muito barulho. Algo assim que as pessoas normais não conseguem suportar de tão tediante... Também não consigo poetar sem ouvir algums caras que considero essenciais: George Harrison, Bob Dylan, Beto Guedes, Lô Borges, Apha Blondy, Bob Marley. Essas coisas me deixam excitado, aí a coisa flui como chega e quer. Acho que não sou normal... (risos)

VB- Quem afinal lhe inspirou, ou ainda inspira?

- Influência cultural e poética, eu herdei de meu pai. O "cara" era exímio articular de palavras. Dominava todos os ritmos necessários para idealização da boa escrita. Ele sim, foi e ainda é o meu maior inspirador.

22 de set. de 2007

Massagueira: a terra prometida!

Photo credit: Osvaldo Barreto
O Veneza de Brasileiros esteve em Alagoas e visitou o pólo gastronômico da Massagueira, um dos locais mais interessantes da grande Maceió e reduto de um elenco de bares e restaurantes populares (principalmente no preço), onde não faltam bons anfitriões. O VB tratou com o responsável pela administração do Bar do Canal, um ferrenho defensor de políticas públicas que absorvam essa região como bandeira, numa entrevista cheia de aspectos críticos e culturais, um papo informal que nos levou a compreensão dos problemas e adversidades da região, parte do município de Marechal Deodoro.

Photo credit: Osvaldo Barreto
Photo credit: Osvaldo Barreto
Outros problemas também atrofiam o crescimento do local e o seu melhor aproveitamento turístico e econômico. Ele ainda adverte: “perdeu-se no tempo a ingenuidade da juventude da Massagueira, e alagoana como um todo, que hoje se envolve com as drogas ou com a bebida, enquanto antigamente se divertiam em campinhos de futebol, praticando o esporte de modo saudável. Hoje o que se vê é a especulação imobiliária tomando os territórios dos jovens e acuando-os em atividades pouco meritórias. As duas únicas escolas da Região também não parecem cuidar bem dos jovens, pois, em todos os concursos públicos realizados na localidade de Marechal Deodoro, 99% dos empossados são de fora.”

O ponto alto da Massagueira, e o que a torna um pólo gastronômico destacado, é justamente a qualidade de sua cozinha e os preços competitivos. Enquanto a “Praia do Francês”, a alguns quilômetros dali, sendo um dos principais pontos turísticos da região, conhecida inclusive internacionalmente, pratica preços absurdos, a Massagueira adota valores mais razoáveis, chegando a um terço daqueles. Os massagueirenses trabalham com peixes de primeira linha, além de discriminar nos cardápios exatamente o peixe a ser consumido. “Enquanto, nos demais restaurantes, o cardápio aponta uma posta de peixe, na Massagueira há o hábito de explicar que peixe está a se oferecer ao cliente. Isso por um lado aumenta os custos, não encarecendo, entretanto, o preço ao cliente, mas dificultando a sobrevivência dos bares que atuam geralmente no limite.” E advoga: “A saída para esse impasse é procurar minimizar os custos trabalhistas, por exemplo, e muitos bares da região trabalham com funcionários na clandestinidade, sem pagar todos os direitos trabalhistas. Aí vem a delegacia do trabalho e multa. As pessoas até gostariam de pagar, mas não podem.”

Questionado sobre a formação de associações na Massagueira, ele é enfático: “o pessoal é desunido, ocorre a camaradagem, isto é, se eu preciso de algum item do cardápio para servir um cliente, posso pegar em outro restaurante, mas, quanto a associações e cooperativas, ocorre uma desunião, até por culpa da própria cultura regional, que não estimula essa forma de atitude, tendendo-se a se aguardar as melhorias caírem do céu ou das mãos do poder público”. Mesmo em ocorrendo iniciativas do SEBRAE, por exemplo, direcionadas para o aperfeiçoamento das empresas e dos seus gestores na Massagueira, os nativos não levam muito a sério, pois o que sucede é um gasto mínimo com o auxílio e a cooperação, em detrimento de uma imensa quantidade de dinheiro em prol da divulgação da ação em si mesma. “O governo realiza, de quando em quando, festivais gastronômicos com utilização de folders e propaganda para chamar as pessoas aos restaurantes, isso, de fato, é bacana! Tudo aqui na Massagueira parece viver em torno de iniciativas políticas que nunca são satisfatórias.”- Completa ele.

Photo credit: Osvaldo Barreto
Photo credit: Osvaldo Barreto
Quem conhece a Massagueira, entretanto, não deixa de parar por lá nos finais de semana, principalmente. Quando muitas vezes os restaurantes são tomados por uma leva muito grande de pessoas da própria Maceió, mas que não desejam pagar os preços exorbitantes da Praia do Francês, e serem igualmente (ou até mais) bem servidos.

Ele destaca também as noites de lua cheia da Massagueira, cujo espetáculo é imperdível para visitantes e até para os próprios residentes de Maceió.

“Temos de trinta a trinta e cinco bares aqui na Massagueira, aguardando a visita do turista ou do próprio alagoano, mas todos com dificuldade, uns mais, outros menos, no entanto, todos de braços abertos para acolher os turistas.” Encerra ele. Trata-se de uma região riquíssima em potencial econômico e atrativos naturais, embora seja tão castigada pelo desprezo do poder público.

Indo a Alagoas, a Massagueira
é parada obrigatória, no caminho para a famosa Praia do Francês, não se pode deixar de provar o sururu da terrinha, dentre outros, não menos saborosos, quitutes regionais. Não à toa, o alagoano tem a alcunha, já registrada no dicionário Aurélio, de Papa-sururu!!!! 

Texto de
Marcos André Carvalho Lins

13 de set. de 2007

Recife: de uma ponte a outra.

Photo Credit: Osvaldo Barreto
Tudo em família! Esse parece ser o lema da empresa de passeios turísticos “Catamaran tours”, nascida oficialmente em 1994, com passeios esporádicos em Igarassu, litoral norte de Pernambuco. O empreendimento foi evoluindo, passando de um mero passeio de jangada para um circuito de barco propriamente dito. Em Recife, eles estão desde 1999, quando iniciaram os passeios de Catamarã no Marco Zero, e depois mudaram para o restaurante Catamaran, localizado a cinqüenta metros do Forte de Cinco Pontas.

Photo Credit: Osvaldo Barreto
Hoje a empresa familiar realiza um dos percursos mais instigantes da cena turística recifense: o passeio de catamarã subindo o rio Capibaribe e cruzando as pontes desde a ponte Doze de Setembro, mais conhecida como ponte giratória. Trajeto realmente muito agradável aos sentidos, não só pela beleza da paisagem, mas também pelo conteúdo informativo. O capitão, praticamente, destrincha todo o centro da cidade ( em português e em inglês ), apontando e esclarecendo a importância de cada prédio avistado. As pontes, tão pomposas para quem circula sobre elas a pé, porém, mais se assemelham a um túnel, do ponto de vista da sua travessia náutica.( e não deixem de baixar as cabeças se a maré estiver cheia !)
Há também o passeio mais completo, que navega pelos principais bairros do Recife, até o bairro de Casa Forte.

Curioso, é que, a iniciativa partiu de uma família
brasileira com certeza, recifense em descendência, mas com laços portugueses. O patriarca do clã era Português, embora tenha atravessado o Atlântico e aportado de corpo e alma no território brasileiro, em 1943, onde casou com uma paulista e veio deixar suas marcas mais perenes em solo pernambucano.

Photo Credit: Osvaldo Barreto
O primeiro barco do empreendimento foi uma embarcação afundada, de propriedade do hotel Gavoa, que passou por uma reforma de treze meses de duração, o seguinte também era proveniente de uma reforma, até se adquirir, sob encomenda, as embarcações atuais, dentre as quais aquela que veio justamente realizar a trajetória náutica no coração do Recife ( a empresa também trabalha com passeios náuticos em Itamaracá e Barra de serinhaém ).

“Quem vem ao Recife, não pode deixar de realizar o passeio de catamarã, e até para o próprio recifense é interessante subir o rio e atravessar os 14 bairros.” orienta Antônio Mauro Jovino de Britto Silva, um dos filhos do finado português, e que hoje comanda a parte operacional do empreendimento, juntamente com o irmão. E completa: “ é interessante observar o contraste em determinadas partes da cidade, prédios de luxo convivendo com construções ribeirinhas deficientes e até palafitas. Essa visão, para o próprio recifense, é importante, pois a percepção de quem passa de carro, ou a pé, perde muito em qualidade para quem atravessa a cidade numa embarcação, navegando pelos rios.”

Photo Credit: Osvaldo Barreto
Questionado sobre a atuação do governo, Mauro diz não ter maiores queixas, apenas ressalta que enquanto a administração anterior tinha como objetivo principal a revitalização do centro e as áreas residenciais de maior visibilidade e valorização, o governo atual trabalha mais a parte social, carente, não deixando entretanto de fazer sua parte quanto ao turismo.

Mauro compara, ainda, Recife à Veneza italiana: “ vir ao Recife e não andar de catamarã é como ir a Veneza e não passear de gôndola!”
O Veneza de Brasileiros assina embaixo e agradece.

Texto de Marcos André Carvalho Lins.

10 de set. de 2007

Entrevista com Laílton Araújo


Com 25 anos de vida profissional, lidando com produção e criação cultural, Laílton Araújo foi o fundador da banda Moxotó, em São Paulo, sendo hoje músico e vocalista da referida banda, é também um dos empresários artísticos do grupo “Raíces de América” e também empresário e produtor musical da legendária “Banda de Pífanos de Caruaru”. Possui atualmente um selo próprio o “ MXT- produções artísticas ” com mais de 30 cds gravados. Nessa conversa com o Veneza de Brasileiros, ele detalha um pouco da sua vida, da sua visão de mundo e de cultura.


Veneza de Brasileiros: Quem é o Lailton?

Laílton Araújo: Nasci em Sertânia - Pernambuco. Sou cidadão do mundo, músico, cantor, compositor, produtor artístico, aprendiz de escritor, ecologista, socialista, espírita, indomável, sertanejo e migrante. Sou ainda defensor da vida, liberdade de expressão e direitos humanos. Respeito qualquer posição política. Não sou o dono da verdade. Mas... Sei brigar se for preciso! Brigo por justiça! Sou livre. Ainda acredito na democracia como a melhor forma de governo.

Veneza de Brasileiros: Você se encontra mais na música, na atividade de empresário artístico ou na produção literária?


* Todas as atividades argumentadas fazem parte do aprendizado diário.

A música sem reciclagem e estudo pode ficar mecânica e as notas musicais sem o brilho da harmonia.

A atividade de empresário artístico no Brasil é desgastante. Empresas de pequeno porte e sem o “jeitinho brasileiro” para negociar, caminha diariamente para o caminho do fracasso. Estou de pé (sobrevivendo) há 18 anos por teimosia e amor à arte. Sei que minha função como empresário artístico gera empregos e impostos. O apoio, reconhecimento privado e governamental é igual à “perna de cobra”. Esse é um assunto longo... Desgastante!

A produção literária é uma forma de extravasar as pressões que a arte musical impõe no Brasil. Comecei por brincadeira e ainda continuo brincando de escrever. Não sou um escritor e nem tenho essa pretensão! Gosto apenas de cutucar a onça com a vara curta! Não é maldade! Eu ainda penso que sou criança! Às vezes sou mordido e quero revidar. Sei que quem fala (escreve) o que quer, escuta (recebe) o que não quer... É a lei da ação e reação! Como fui um péssimo ex-aluno (não formado) do curso de “Física” (PUC/SP), não costumo aplicar essas leis da natureza em minha vida. Sou ainda teimoso! Bode velho! Sertaniense indomável! Paulistano por adoção! Cidadão do planeta Terra. Por isso estudo “Ciências Biológicas”. A natureza também é indomável. Estou estudando a evolução das espécies. Sou um animal em evolução e uma alma em constante aprendizado. Sou espírita e espiritualista.

Veneza de Brasileiros: O Lailton, empreendedor cultural, como definiria cultura?


Laílton Araújo: Cultura é a expressão maior do ser humano. E a arte de moldar ou não moldar, o certo ou errado, e na visão da ótica de quem observa. É universal, sem credo ou estética. Não tem pátria... Cultura é a arte da modificação e evolução! Pode ser individual ou grupal. A massificação da cultura torna-se uma burocracia e expressão humana sem anarquia. Pela saúde no interior da arte: liberdade! (poeta Emiliano).

Veneza de Brasileiros: Quais os seus ícones de ontem e de hoje? E o seu livro de cabeceira?

Laílton Araújo: No Sertão de Pernambuco (até 1976) eu ouvi a música de Luiz Gonzaga, Nélson Gonçalves, Ataulfo Alves, Pixinguinha, Dorival Caymmi e grandes intérpretes brasileiros.

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The Beathes, Roberto Carlos, Jovem Guarda e as novidades dos anos 60, não passaram despercebidas aos meus ouvidos. Vieram os anos 70 e o velho, e criativo Raul Seixas - além de outros cantores e compositores “bregas” (para alguns). Para quem vivia no interior, sem jornais, revistas, televisão, telefone e recebendo sinais distorcidos de rádio, essas informações foram e são impagáveis.

Os circos e cinema Emoir de Sertânia (filmes exibidos com quase dois anos de atraso) foram de vital importância para a formação de um migrante. Não perdia um filme semanal. Vi na tela as maravilhosas Brigitte Bardod e Sofia Loren. O Vigilante Rodoviário (ator Carlos) era o herói brasileiro desse e outros meninos da época. Falei com Carlos (por telefone) na década de 90 - já em São Paulo. Ele trabalhava do Departamento de Turismo de uma cidade do litoral paulista. Conversamos quase 20 minutos. Outros enlatados americanos, faroestes verdadeiros e cópias italianas, moldaram a minha cara cultural. Até as películas “capa e espada” eram novidades. Assistindo aos espetáculos circenses - alguns sem lonas - percebi o descaso e discriminação social com os artistas. Comecei a entender o que é a sociedade brasileira.

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Na minha memória um fato ficou gravado: eu tinha 12 anos de idade... Ouvi o famoso Zé Cotó do Sertão das Alagoas (artista popular) tocar guitarra na feira de rua de Sertânia, sem dedos e tocando muito bem. Aplausos... Um ritmista do Zé Cotó (parecido com Jackson do Pandeiro) passava seu pandeiro em busca de alguns trocados. O público colocava moedas e algumas notas graúdas. Zé Cotó era um artista do povo. Talvez tenha inspirado os guitarristas do moderno calipso.

Já em São Paulo – 1976 - comecei outra vida... Ouvi Chico Buarque, Toquinho, Vinícius de Morais, Milton Nascimento e toda a turma da MPB. Ouvi ainda Caetano Veloso e Gilberto Gil. Conheci pessoalmente um gênio: Tom Zé. Cantando em um evento de rua (com a Banda Moxotó - minha banda), ele ouviu algumas músicas nossas, subiu no palco e me deu um abraço! Mostrou humildade, companheirismo e sabedoria em apoiar novos artistas. Tem muitas histórias... Daria um livro! Esqueci algo: Zé Ramalho! Talvez tenha sido o “Zé” o meu ícone como compositor e músico. Vi nele o Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Zé Cotó do Sertão das Alagoas. Zé Ramalho com suas canções e aboios, traz a referência da feira de Caruaru e de Sertânia, para os ouvidos dos críticos musicais.

Sou um leitor maluco. Leio até bula de remédio! Quando vou dormir... Caio na cama e viajo para o espaço!

Veneza de Brasileiros: O que você acha da mídia virtual, a internet, qual o seu relacionamento com os sítios? Você domina informática? O que acha dos sítios que se dispõem a um viés "colaborativo"?

Laílton Araújo: A mídia virtual, a internet e os sítios democratizaram a informação mundial. Hoje é mais fácil pesquisar, trocar informações e divulgar qualquer produto. Por outro lado, a massificação tornou-se descartável, globalizada, pasteurizada e controlada pelo registro do endereço “IP”, de cada usuário no computador. É preciso saber navegar e ter o cuidado do que se escreve. Nem tudo que é publicado na Internet é verdadeiro. Nem tudo o que se publica chega ao outro lado. A tecnologia não pode passar por cima da “razão’. O “Over” pode virar “Ovo”! E se alguém fabricar um bolo ou peixada? Existirá a figura do “baba ovo”? É perigosa a idéia de comunidades, grupos fechados ou com idéias mais ou menos abertas! Sempre existirá um controle! Sítios parecem prisões!

Meu domínio de informática é de um simples usuário. Falando de viés “colaborativo”... A verdadeira informação é algo fundamental para o crescimento moral e intelectual de qualquer pessoa. Quando montei o blog “Diário do Caramujo”, coloquei “links” de sites e blogs comprometidos com a área de área de educação e cultura.

Veneza de Brasileiros: Como você percebe o governo Lula e o Gilberto Gil, essa parceria no campo administrativo cultural?

Laílton Araújo: Tenho fotos com o presidente Lula... Votei no homem e voto ainda. Sou seu crítico Nº 01 e vou continuar sendo. Cheguei a falar no ouvido do "Lula": esteja preparado para ser presidente! Ele respondeu: será companheiro! Minha frustração é a mesma de qualquer brasileiro. Por isso “pego no pé” do conterrâneo. Sei separar o "Lula" líder das massas, do "Lula" presidente. No momento, não vejo ninguém para acalmar os ânimos do país. Minha frustração é a mesma de qualquer brasileiro.

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Sou fã do cantor Gilberto Gil. Não gosto do "Gil" ministro. É a minha forma de ver a democracia. Eu sei aplaudir e criticar de forma construtiva... Até na forma de humor. Não tiro os méritos de algumas realizações do atual Ministro da Cultura.

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VB: A solução para o Brasil, passa necessariamente por que variantes?


Laílton Araújo:

* Educação para todos os cidadãos

A sociedade brasileira tem culpa pelo descaso com a educação de seus cidadãos. O "jeitinho brasileiro de dar nó em pingo d'água" e outras artimanhas de esperteza criam universos paralelos e anti-sociais. A educação não termina na colação de grau, com direito a diploma de “doutor” e anel no dedo em dia de formatura. Canudos ou títulos não foram feitos para enfeitar as paredes e dar "status". A educação é contínua e o educador tem o dever de repassar o conhecimento para os menos favorecidos. Conhecimentos guardados, sem princípios éticos ou apenas com interesses pessoais - deseduca toda a educação e os educandos, que buscam a tão necessária educação.

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* Combate ao verdadeiro problema da violência: falta de educação

A violência é um conjunto de fatores, multiplicados por milhares de condições propícias ao crescimento e não solução. Alguns falam na construção de presídios, pena de morte, pena perpétua e outras medidas de impacto para apaziguar os ânimos da sociedade dita moderna. E depois do dia “D”? Como serão as novas formas de correção?

Olhar os próprios pés ou mesmo, o próprio rabo (somos mamíferos e alguns possuem rabo) é o começo da mudança tão almejada por esta sociedade hipócrita, vestida de preconceitos e injusta, que acha que o atual modelo de civilização é o ideal.

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* A filosofia ajuda na mudança interior de qualquer ser humano

Portanto, seguimos como viajantes na busca do mistério da criação. Aplausos para a matemática; troféu especial para a biologia; menção honrosa para a física; elogios para a química... Mesmo assim, a sensibilidade do comentado Ser Humano mostra outros caminhos! Será que possuímos uma alma? Será que nossa curiosidade é observada?

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VB: Como você afere a situação do Brasil em relação ao mundo?

Laílton Araújo: Prefiro não comentar. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de cada país mostra a verdade.

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VB: Onde você gostaria de chegar e não chegou ainda? Quais suas metas, e expectativas?


Laílton Araújo: Eu estou viajando e viajante. Sou espírita! As metas foram traçadas pelo plano superior. Essa entrevista não foi programada... Aconteceu! Graças a Deus! Fiz mais alguns amigos!

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VB: Para encerrar, nos fale um pouco da Banda Moxotó e da MXT - Produções Artísticas.

Laílton Araújo:
* Banda Moxotó

Foi criada em 1981 na cidade de São Paulo, com a proposta de não fugir das raízes de seus integrantes - nasceram em Pernambuco e Maranhão - embora esteja na busca constante de novas e velhas informações culturais do planeta Terra. No Estado de Pernambuco, Moxotó é nome de rio e vale do Sertão. Moxotó é o mesmo que planície de índios bravios. A Banda Moxotó tem 25 anos de estrada. Gravou 10 álbuns fonográficos e participou de quase 1500 eventos no Brasil.

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* MXT - Produções Artísticas

Surgiu em 1990 para ajudar na assessoria artística, tendo como objetivo a ética no relacionamento entre os participantes do “Show Business”.

Artistas assessorados: Banda Moxotó, Lailton Araújo, Maria Dapaz, Dinho Nascimento, Raíces de América, Banda de Pífanos de Caruaru, Oswaldinho do Acordeon, Edinho Santa Cruz, Marisa Serrano, Sérgio Sá, Trio Nordestino (antigo) e Jane Santos.

Tel. (11) 9200-0987

e-mail: mxtprod@ig.com.br
mxtprod@bol.com.br

Fonte da Imagem: Click aqui.