31 de mai. de 2007

José Dagostim: Poeta dos Arquétipos


Eternidade

Dos espirais adormecidos,
constela-se os arquétipos.

A sincronia de olhares,
desperta a metáfora.

Na eternidade do momento,
movimenta-se o tempo.

Passado, presente no futuro,
desenho cíclico dos espirais adormecidos...
No portal de um olhar, presente.

José Dagostim


É lamentável que a José Dagostim ainda não tenha nenhum livro publicado. Com boa parte de sua obra poética exposta no Overmundo, chego a uma síntese muito mais atrevida que exata: José Dagostim, o Poeta dos Arquétipos.

Na teoria neofreudiana de Carl Jung (1875-1961), os arquétipos que enunciados poéticos, místicos e religiosos utilizam são derivados de uma inconsciência coletiva, que detém memórias de ancestrais, seus relacionamentos e suas experiências. Tudo no campo da metáfora que, ao longo do tempo e para cada pessoa, transforma-se, tomando novos sentidos.

Absorvendo essa visão neofreudina de Jung, há, segundo o próprio Dagostim, uma influência dessa confrontação misteriosa de arquétipos na sua poesia. Assim como, no lado trágico do seu lirismo, pode-se encontrar muito da escrita de Nietzsche. Com os seus textos de dificílima compreensão estilística e conceitual, porém rica em personagens e elementos que se eternizam em nossas imaginações.

Numa breve entrevista via e-mail, José Dagostim respondeu algumas de nossas perguntas:


Um escritor (a) referencial (Por quê??): Pablo Neruda
“A vida é uma metáfora” e navegar pelas metáforas é muito gostoso. Um escritor/poeta que ousou, indagou e questionou o sistema... Sua poesia é uma maravilhosa viagem pela vida...

Um Livro referencial (por quê??): Livro das perguntas de Pablo Neruda.
Gosto do desafio das indagações. Para mim a provocação toda é pedagógica e me inspira...


O que acha da globalização da cultura?
Somente acredito em uma globalização cooperada, que respeite a realidade cultural de cada povo/nação...

O que acha dos novos escritores brasileiros? Temos ótimos novos (as) escritores(as) Qual (ou quais) se destaca? Eu destaco Helena Sut, pela profundidade de seus escritos “ela escreve com a alma”. Adoro o trabalho dela.

Quais são os grandes projetos brasileiros no campo cultural?
Gosto do “Overmundo”. Acho um projeto alternativo que promove a cultura de forma democrática e aberta, isso é bom...

A poesia ainda tem espaço no mundo monopolizado pela mídia dominante?
A poesia/arte indagadora e crítica que rompa com este padrão patriarcal/capitalista antropocêntrico não tem espaço no monopólio da mídia dominante. Acredito na poesia como forma de fortalecer a construção de uma nova sociedade por fora deste padrão capitalista...



Finalizando essa matéria, deixo com vocês o que credito ser a sua melhor definição:

Sigo meu caminho...

Sou
fogo,
água,
ar e
Terra.

Sou
Amor,
cor,
sabor e
melodia.

Sou
verso,
prosa e
poesia.

José Dagostim.


Visite o Overmundo e saiba mais sobre os trabalhos publicados de José Dagostim:

Perfil: José Dagostim

12 de mai. de 2007

Carlos Safira: um artista no Vale da Lua


Carlos Safira é um artista como poucos, autodidata , nascido em Recife, Pernambuco, mais precisamente na rua da Imperatriz, ele já passou por diversos logradouros até se tornar um dos habitantes do chamado Vale da lua, na praia de Calhetas, próxima a Gaibu. Ali ele encontrou, para sua arte, um local isolado e tranqüilo,onde reside numa casinha alugada, sem luxos e vivendo e respirando arte.Ele, que já realizou exposições nas mais diferentes cidades e com os mais diferentes materiais, hoje trabalha principalmente com a madeira. “ como o principal fluxo aqui é de turistas, as peças de madeira são de mais fácil transporte.” Explica ele. Carlos começou quase por acaso como artista plástico: “ eu trabalhava num grupo de teatro, como diretor, e como era necessário fazer as máscaras para a apresentação, alguém me sugeriu que eu mesmo as fizesse, desde então enveredei pelo caminho das artes plásticas e não larguei mais.” Sobre a opção de viver tão longe da civilização, ele aponta a violência como principal motivo: “ eu vivia num bairro interessante em Olinda, mas muito violento, daí vi essa casinha e gostei” – conta ele.

Residindo há três anos de aluguel na praia de Calhetas, ele diz que ganha, com suas esculturas em madeira, o suficiente para pagar a morada e sobreviver, mas também realiza trabalhos sob encomenda e possui obras espalhadas por todo o mundo.A sua principal matéria prima é a jaqueira, que, curiosamente, muda a tonalidade com o decorrer do tempo, tomando uma cor vistosa que agrada os sentidos e é realçada por uma cera de fabricação caseira do próprio artista.

Atualmente , Safira está com uma exposição engatilhada no Recife para uma loja de decoração no Parnamirim a ser inaugurada, Sonho de Casa. O dono da loja cedeu o espaço para um coquetel de apresentação.O armazém Coral também ofereceu o insumos para o acabamento das obras a serem expostas.

Passando pelo litoral sul de Pernambuco não deixem de visitar a praia de Calhetas, o Vale da lua e, principalmente, nosso amigo Carlos Safira.

Contato:

Fone: 9602-8567

Texto de Marcos André Carvalho Lins

2 de mai. de 2007

Praia da Conceição


Quem não gosta de tomar uma cerveja acompanhada de um belo tira-gosto, fitando as ondas do mar com toda a beleza praieira do litoral a dois palmos? Tudo isso você encontra na praia da Conceição, um pouco antes de outra praia não menos famosa, a praia de Maria-farinha, município de Paulista, Pernambuco. Em Conceição, que tem esse nome devido a igreja de N. S. da Conceição, localizada a quinhentos metros da beira-mar, você encontra um local pitoresco, de pessoas cordatas e hospitaleiras, cujo principal meio de vida é servir bem os fregueses que se amontoam, durante o verão, nas barracas limpas e arejadas pela brisa errante do oceano.
Dentre os muitos bares do local destaca-se o pequeno ponto de nome convidativo: Entre Amigos. A sua dona é uma senhora muito simpática, recifense, que ( pasmem! ) deixou a profissão de professora para enveredar, juntamente com o marido, nessa empreitada da Praia da Conceição. O bar é bem simples, tal qual a dona, cujo diploma não lhe retira, por nenhum momento, o estilo despojado e conversador de ser. Ex-professora de pré-escolar, numa escola privada do grande Recife, a baixinha da Praia da Conceição , como é conhecida, afirma que não se arrepende de ter deixado o magistério: “ tudo que eu faço é com muito amor, com amor eu tratava as crianças do maternal e com amor atendo meus fregueses aqui no bar.” Ela diz ainda que preferiu a troca, pois gosta de tratar com o público, e viciou-se naquele ambiente tão aconchegante que é a Praia da Conceição. A baixinha explica que não foi fácil fazer o nome naquele lugar da praia. Embora o ponto já existisse, ela e o marido passaram ao menos um ano sem viva alma para servir, até que foram se achegando os clientes e hoje , durante o verão, não há onde acomodar tanta gente. “ muitos optam por ficar em pé mesmo, para não atrapalhar” – diz ela sempre com um sorriso cativante nos lábios. Quanto a viver de um pequeno estabelecimento a beira-mar, a baixinha diz que é “ trabalho de formiguinha”, trata-se de economizar no verão para no inverno não faltar.
A generosidade em pessoa, a baixinha convida a todos a provarem dos seus quitutes , e experimentarem, por um dia que seja, a gostosa estadia na Praia da Conceição. “Sejam todos muito bem-vindos” – completa ela.
Pois é, amigos do Entre outras...caso estejam a passeio pelo litoral norte de Pernambuco e desejem conhecer um local aprazível, não deixem de dar uma parada na Praia da Conceição para tomar uma cerveja no bar da baixinha. Com certeza, serão muito bem recebidos!

Texto de Marcos André Carvalho Lins
Imagens de Osvaldo Barreto

1 de mai. de 2007

Goiânia, minha Goiânia


Falar sobre Goiânia, é ao mesmo tempo prazeroso e árduo, pelo simples fato de ser goianiense e ser uma enamorada da “minha” cidade.

Se por um lado, Goiânia é considerada uma cidade tipicamente interiorana, por outro lado, é a capital que mais tem crescido nos últimos anos.

Falar que a cidade é linda, que oferece qualidade de vida e etc. é chover no molhado, visto que a mídia tem se encarregado disso com bastante empenho e mérito.